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COMUNA - COMUNIDADE ATIVA PRÉ-VESTIBULAR POPULAR

24/03/2008 GMT 1

DEUSES DA TERRA

comunaprevestibularpopular @ 01:24

DEUSES DA TERRA
Acima dos Faraós, só existiam as divindades para os egípcios

Os faraós representam um dos mais magníficos verbetes da História. As representações de suas figuras imponentes, preservadas por mais de 5 mil anos em enormes monumentos de pedra, esculturas e pinturas diversas, já seriam suficientes para conferir aos antigos soberanos do Egito sua singularidade. Não bastasse isso, a literatura e o cinema, de tempos em tempos, ressuscitam os grandes faraós, seja publicações, como a recente série de livros “Ramsés” e “A pedra da luz”, de Christian Jacq; ou no clássico filme “Os dez mandamentos”, de Cecil B. De Mille. A idéia de eternidade, tão típica da arte e da arquitetura do Antigo Egito, não poderia ser melhor representada. Dois mil anos após a queda do Egito dos Faraós, aqueles grandes líderes ainda fascinam o mundo todo.

Quem eram?
O faraó era o rei do Egito. Tudo, absolutamente tudo, pertencia nominalmente a ele. Este poder vinha da idéia de que o faraó era verdadeiramente um deus na Terra. Como descendente das divindades adoradas pelos egípcios, cabia a ele o poder sobre todas as coisas, como também era de sua responsabilidade a proteção do povo egípcio. O termo “faraó”, em egípcio, significa “casa grande”. Em princípio, era uma palavra que se referia à moradia do rei. Não se sabe ao certo quando foi que o termo passou a ser usado para designar a figura do próprio soberano do Egito. Alguns estudiosos acreditam que foi a partir de 1.400 a.E.C. (antes da Era Comum); outros, defendem que foi depois de 950 a.E.C.
Portanto, o Egito era uma teocracia, ou seja: a autoridade de governar vinha de Deus – ou dos deuses, como era mais freqüente – para ser exercida por seu representante na Terra, o faraó. Diferente das demais nações da época, cujas cidades eram bastante independentes, o Egito era um Estado forte, centralizado. Os governantes das cidades e vilas, tinham poder limitado.

Organização social e econômica
A grosso modo, o Egito era dividido em quatro classes, que podem ser representadas por uma pirâmide. No topo, ficava o faraó, abaixo dele, vinham os nobres e os funcionários palacianos (sacerdotes, escribas, oficiais militares). Uma terceira classe era formada por mercadores, artesãos, operários e camponeses, que também eram convocados para trabalhar na construção de obras públicas. Lá embaixo ficavam os escravos, conquistados em guerras ou escravizados por deixarem de pagar os impostos.
Embora fossem autônomos, os monarcas tinham poder limitado. Quem realmente ditava os rumos eram aqueles que representavam o poder central, ou seja, os escribas, que estavam subordinados ao faraó. Como podiam ler e escrever, eram eles os responsáveis pela contabilidade do reino, registrando as negociações e arrecadação de impostos. Estes impostos eram pagos, de forma geral, em mercadoria ou trabalho. Todo camponês, por exemplo, era obrigado a produzir um excedente que era repassado ao faraó. Parte desta riqueza financiava a vida do governante, de sua família e dos funcionários do palácio. Parte era empregada na construção das grandes obras públicas. E outra parte da produção não era negociada, ficando armazenada para os períodos de baixa colheita.

Trajetória
Os rumos da história do Egito foram definidos pelos faraós em pouco mais de 3 mil anos de reinado. Cada dinastia – série de soberanos pertencentes a uma mesma família – representou maior ou menor avanço para a civilização egípcia, dependendo da índole, das crenças, da competência e até do humor e das paixões de seus faraós. Pela vontade de seus reis, o Egito viu templos que veneravam suas próprias divindades serem destruídos, guerras serem travadas e milhões de vidas serem perdidas. Também pela vontade dos faraós, alguns dos maiores monumentos da humanidade foram construídos, ciências como a matemática, a astronomia e a medicina avançaram, uma escrita extremamente elaborada foi criada, regiões desérticas passaram a ser férteis e o resto do mundo recebeu, preservada dentro de suntuosos túmulos, uma contribuição histórica inestimável.

A história de um povo
O historiador grego Heródoto disse que “o Egito é uma dádiva do Nilo”. Com razão, foi graças ao Nilo que a civilização egípcia floresceu, mas é impossível precisar exatamente quando. Acredita-se que por volta de 5.500 a.E.C., algumas comunidades agrárias já se formavam na região sul do rio (conhecida como Alto Egito, em contraposição ao Baixo Egito, que ficava ao norte, na região do delta do rio, já próximo ao mar Mediterrâneo). Estes egípcios antigos, provavelmente nômades e caçadores até então, trocaram o hábito da caça pelo da agricultura, percebendo a riqueza do solo das margens do rio.
Quando chegava o período das cheias, as águas do Nilo avançavam sobre grandes áreas marginais, fertilizando o solo. Quando ele se retirava de volta ao leito, a terra estava pronta para ser semeada. Não à toa, os egípcios consideravam o Nilo um Deus, então chamado de Hapi. A faixa do terreno fertilizada pelo rio era chamada de Terra Preta, onde a vida florescia; o deserto era a Terra Vermelha, o reino dos mortos e lá foram construídas as pirâmides e templos mortuários dos nobres e dos faraós.
Já no período pré-dinástico (anterior às dinastias dos faraós), os egípcios iniciaram um primoroso trabalho de irrigação, levando as águas do Nilo para regiões mais distantes do curso do rio. Também construíram diques para controlar as cheias, e este constante esforço para tirar o melhor proveito da natureza fez com que houvesse um tremendo avanço na geometria e na matemática. Com o tempo, já estavam criando carneiros, cabras, vacas e burros, tecendo linho de altíssima qualidade, trabalhando artefatos de pedra e cobre, modelando e pintando vasos, usando óleos como perfume, maquiando os olhos com malaquita para se protegerem do sol, fabricando cerveja e construindo casas de adobe – espécie de tijolo cru, feito com argila e palha.
Surgiu também o sistema de escrita hieroglífica, que usava símbolos pictóricos para representar idéias e sons. Os primeiros registros encontrados datam da Primeira Dinastia, mas, por ser bastante elaborada, acredita-se que a escrita já vinha sendo desenvolvida no Egito muito tempo antes do período dinástico. Esta escrita só foi decifrada no século 19. O francês Jean Fraçois Champollion começou a entender os hieróglifos em 1821, a partir das inscrições na Pedra de Rosetta. Este monolito de basalto negro foi gravado em 196 a.E.C. e contém um texto de exaltação a Ptolomeu V, rei fanfarrão da Dinastia Ptolomaica, no período da decadência do Egito faraônico. Esta descoberta foi a chave para a compreensão do Antigo Egito e é a base da egiptologia. O nosso calendário de 365 dias também é herança dos egípcios, que dividiram o ano em 12 meses de 30 dias, com mais cinco dias de festa ao final de cada ano.
Uma vez estabelecidas, aquelas aldeias agrárias se transformavam em nomos, comunidades autônomas que contavam com chefes políticos, os nomarcas. Os nomos mais organizados começaram a se destacar dos demais, como Tinis, Naqada, Buto e Apolinópolis. As ligações entre os nomos acabaram por dar origem a dois reinos distintos: o Baixo Egito, na região do delta do Nilo; e o Alto Egito, mais ao sul. Por volta de 3.200 a.E.C., o primeiro faraó, Menés, unificou os dois reinos, dando início ao período dinástico. Este período de grandes avanços na história do Egito é dividido em quatro épocas: do Antigo Império, que vaide 3.200 – 2.235 a.E.C.; o Médio Império, que vai de 2.060 – 1.650 a.E.C., quando a Época de Ouro chegou ao fim; e o Império Tardio, entre 1.085 – 323 a.E.C.
Estas datas são aproximadas, pois os historiadores jamais chegaram a um consenso par uma divisão sistemática comum. A partir de 323 a.E.C., após a morte de Alexandre, o Grande, o Egito viveu o período da Dinastia Ptolomaica. Até 30 a.E.C., foi governado por macedônios e gregos, às vezes com intervenção de Roma, o que leva muitos pesquisadores a renegar tal período como parte da história do Egito faraônico. Mas quando chegou ao poder, Ptolomeu assumiu para si o título de faraó, bem como os seus descendentes, que chegaram a colocar o Egito de volta no caminho do desenvolvimento, mesmo que por um curto período. A partir de 30 a.E.C., ano da morte da lendária rainha Cleópatra VII, o que restava do moribundo Egito faraônico deixou finalmente de existir. Sob o domínio do imperador Augusto, o país foi transformado numa mera província romana.

Período Arcaico
A maior parte dos historiadores aceita a tradição egípcia que define o rei Menés (ou Narmer) como o primeiro faraó, o chefe que unificou o Alto e o Baixo Egito por volta de 3.200 a.E.C.. Ele é o fundador da Primeira Dinastia, um humano que, para seus súditos, era descendente direto dos deuses. O aglomerado de nomos foi unido sob o comando de Menés e assim nasceu uma nação, que tinha a capital na cidade de Tinis. Por causa disso, este primeiro momento do Egito dinástico é conhecido também como período tinita. O processo de unificação iniciado por Menés foi levado adiante por seus sucessores, 18 reis de duas dinastias diferentes, que governaram durante cerca de 400 anos. Os historiadores não chegam a um consenso sobre o período através do qual a capital do Egito esteve estabelecida em Tinis. Alguns afirmam que Menés foi o responsável da transferência da capital para Menfis, atual Cairo, ao passo que outros defendem a tese de que a mudança só ocorreu um século depois.
Seja de onde for que os faraós governavam o Egito, nestes primeiros séculos a nação só fez se desenvolver. Novas terras foram anexadas ao território egípcio, expedições comerciais foram enviadas a Núbia (Sudão), Líbano e Sinai, surgiu o papiro, e a escrita se desenvolveu enormemente. Todas as transações eram registradas, e isso colaborou para que o governo se mantivesse forte e centralizado. Foram escritos papiros médicos, as construções de pedra começaram a surgir e os faraós passaram a ser enterrados nas enormes mastabas, iniciando a tradição que viria a deixar para o mundo alguns de seus maiores monumentos: as pirâmides.
No final da Segunda Dinastia, no entanto, quase que todo este desenvolvimento fo por água abaixo. Dois reis, Persiben e Khasekhem, reivindicaram o trono. No início do confronto Khasekhen se viu obrigado a recuar para o Alto Egito, estabelecendo-se por lá, enquanto Persiben governava a partir do delta do Nilo, provavelmente de Menfis. O Egito estava novamente dividido. Mas Khasekhen conseguiu derrotar Persiben e reunificou o estado egípcio sob seu comando. Da beira de uma derrocada, o Egito se colocou em um trampolim que o levaria àquele que viria a ser seu mais glorioso período: o Antigo Império.

Antigo Império
O Antigo Império começou com a Terceira Dinastia, aproximadamente entre os anos de 2.700 e 2.650 a. E.C.. O governo, neste período, tinha evoluído de vez para uma teocracia, e o faraó, praticamente um deus na Terra, reinava absoluto. O Egito era uma nação extremamente rica e desenvolvida, como fica patente pelas fabulosas construções erguidas no período. Acredita-se que nunca os faraós tiveram tanto poder quanto nesta época. O país foi dividido ofcialmente em nomos, e cada chefe de nomo era, invariavelmente, ligado ao faraó por laços de sangue. Isso permitiu que o governo ficasse ainda mais centralizado nas mãos do rei. Expedições buscavam outo, cobre e turquesa em várias regiões, anexando mais territórios e aumentando a riqueza do reino.
A construção das pirâmides começou na Terceira Dinastia, com o faraó Zhoser (ou Dsojer), que ordenou a Imhotep que erguesse a Pirâmide de Degraus. Durante a Quarta Dinastia, foram construídos os mais famosos monumentos do Egito: as Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. O culto ao deus-sol, Rá, também foi introduzido durante a Quarta Dinastia, considerada por boa parte dos historiadores como o período áureo do Egito dinástico. A partir da Quinta Dinastia, as pirâmides passaram a ser erguidas em escalas menores, já que os recursos eram empregados na construção de templos do sol. Até a Sexta Dinastia, o Egito conheceu um grande avanço na arquitetura, escultura, pintura, navegação, medicina e astronomia – o calendário de 365 dias foi introduzido neste período pelos astrônomos de Menfis. O nosso calendário de 365 dias é uma herança dos egípcios, que dividiram o ano em 12 meses de 30 dias, com mais 5 dias de festa ao final de cada ano.

Primeiro Período Intermediário
A Sétima Dinastia marca o início do Primeiro Período Intermediário e o enfraquecimento do poder dos faraós. Embora os reis da Quarta Dinastia tenham colocado seus parentes para governar os nomos, os faraós seguintes não fizeram o mesmo. Os postos de comando estavam nas mãos de outras famílias que ficavam mais poderosas a cada dia. O último grande faraó da Sexta Dinastia, Pepi II, governou por 94 anos, e sua idade avançada também enfraqueceu seu comando, abrindo a guarda do trono para receber golpes cada vez mais duros. Para piorar, o Egito passou por uma tremenda seca e a fome assolou o reino. E o faraó, um deus na Terra, não podia fazer nada.
Durante o Primeiro Período Intermediário, que durou até a Décima Dinastia, o poder central praticamente desapareceu. Os líderes dos nomos se viravam como podiam para tentar aplacar a fome do povo. Guerreavam uns com os outros, disputavam o poder em diversas regiões. Os reis que governavam Menfis se diziam faraós, mas não eram reconhecidos fora da cidade e se sucediam com grande velocidade no poder. O estado estava totalmente fragmentado, até que surgiu uma nova divisão entre Alto e Baixo Egito. Uma família unificou o Baixo Egito a partir de Heracleópolis e seus chefes reivindicaram o título de faraós, ao passo que outra governou o Alto Egito baseada em Tebas, sem requerer no entanto, o título faraônico.

Médio Império
O grande responsável pela reunificação do Egito foi o faraó Menthuhotep, descendente da família que governava a partir de Tebas e que teve Antef (ou Inyotefs) como fundador da Décima Primeira Dinastia. Sob o comando de Menthuhotep, o Alto Egito venceu os adversários de Heracleópolis e devolveu a unidade ao Estado. A nova capital do Egito passou a ser Tebas. O período entre a Décima Primeira e a Décima Quarta Dinastia é conhecido como Médio Império. Esta nova era representava também o culto a uma nova divindade. Como Amon era o deus principal de Tebas, o deus original e criador, sua imagem acabou fundindo-se com a de Rá, pois o culto solar ainda era muito forte no Egito. Desta associação surgiu o deus Amon-Rá.
Durante esta época, foi novamente reconhecido como o governante supremo do Egito. Mas ele já não tinha mais aquele poder absoluto que possuiu durante o Antigo Império. A força dos governadores dos nomos foi mantida. Alguns deles tinham até mesmo seus próprios exércitos, mas o faraó os mantinha sob seu comando político. Durante a Décima Primeira Dinastia, o Egito reatou suas relações comerciais exteriores, voltou a explorar riquezas em regiões como as do Sinai e da Núbia e restabeleceu seu poder bélico. Com os cofres do Estado cheios e a volta do acesso à matéria-prima de qualidade, a arte e a arquitetura, que sofreram um grave declínio durante o turbulento Primeiro Período Intermediário – que, de forma contrastante, registrou uma grande evolução na literatura – voltaram a florescer. Este período de glória para o Egito perdurou também durante a Décima Segunda Dinastia, fundada por Amenemhat I (ou Amenemés).

Segundo Período Intermediário
Alguns estudiosos gostam de citar a Décima Quinta Dinastia como o marco do início do Segundo Período Intermediário, pois foi quando os hicsos se estabeleceram como governantes do Baixo Egito, estendendo seu poder ao Alto Egito. Durante a Décima Terceira e a Décima Quarta Dinastia, o Egito foi governado por faraós que comandavam simultaneamente a partir de Menfis e Avaris. Os governos eram curtos e tumultuados e, novamente, o Egito se viu fragilizado e dividido em dois reinos.
Houve um aumento muito grande na imigração durante o Médio Império. Inicialmente, estes imigrantes, na maioria vindos da Ásia, provavelmente da Palestina e da Síria, chegaram para trabalhar como servos contratados. Estes hicsos (“governantes estrangeiros”, em egípcio) logo ascenderam na estrutura social da época e, em pouco tempo, tomaram o poder, ajudados pelo cenário caótico que imperava ao final do Médio Império. Os faraós hicsos estabeleceram sua capital em Avaris e assumiram os costumes locais, inclusive usando nomes egípcios. Os estrangeiros introduziram os carros de guerra puxado por bois ou cavalos e a utilização do bronze – em vez do cobre – na confecção de armas. Apresentaram ainda o tear vertical, instrumentos musicais, como o tamborim, e novos alimentos, como a azeitona e a romã.
O governo direto se dava apenas no Baixo Egito, mas o Alto Egito também pagava tributos aos chefes hicsos. As relações entre Avaris e Tebas, principal cidade do Alto Egito, permaneceram amistosas por um bom período. Até que o líder tebano Sekenenre Tao foi insultado pelo governo de Avaris e, em retaliação, invadiu o território dos hicsos, dando início a uma nova guerra contra o Baixo Egito. Sekenenre morreu em combate, mas seu filho Kamósis continuou a luta. Ele também foi morto, mas Amósis conseguiu expulsar os hicsos de volta para a Ásia. O Egito estava novamente unificado e entrava em um novo período: o Novo Império.

Novo Império
Amósis é considerado o fundador da Décima Oitava Dinastia e, também, do Novo Império, que se estendeu até a Vigésima Dinastia e representou uma nova era de grandes construções de templos religiosos. Nascido e criado na guerra, Amósis estabeleceu Tebas como nova capital do Egito reunificado e levou seu exército rumo ao sul, a fim de conquistar partes da Núbia. Com os militares a seu lado, tirou o poder dos monarcas locais, deixando-lhes apenas alguns poucos direitos de líderes de aldeias e pequenas cidades. A guerra foi a linguagem de grande parte do Novo Império. O Egito era agora uma potência imperialista. Alguns dos faraós mais famosos da história reinaram neste período, como Ramsés II, Akhenaton, a rainha Hatchepsut e Tutankhamon.
Depois de Amósis, Amenhotep I (ou Amenófis I) deu seqüência a expansão do reino egípcio, estendendo os limites do império até a Núbia e a Palestina. Seu sucessor Tutmés I, deu seqüência à expansão do Novo Império, ao mesmo tempo que reforçava a crença no deus Amon. Neste período, as pirâmides dos faraós vinham sendo seguidamente violadas por ladrões que levavam não só os tesouros guardados lá dentro como as próprias múmias dos reis. Tutmés I foi o primeiro faraó a construir sua tumba no Vale dos Reis, onde os túmulos eram escavados na rocha e, assim, ficavam protegidos dos saqueadores.
E graças ao Vale dos Reis – que fica próximo ao Vale das Rainhas, onde eram enterradas as esposas e os filhos dos faraós – que muito da história do Egito Antigo chegou intacto a nossos dias. Foi ali, por exemplo, que foi encontrada praticamente intocada a tumba do faraó Tutankhamon, em 1922. Ele também foi rei durante a Décima Oitava Dinastia. Antes dele, governantes mais importantes de fato para a história do Egito reinaram, como a grande rainha Hatchepsut e o faraó Amenófis IV, que tentou estabelecer o monoteísmo por meio da crença em Aton, o deus do Disco Solar. Amenófis IV que era casado com Nefertiti, mudou seu nome para Akhenaton. Durante o seu reinado, o Egito sofreu bastante, uma vez que a preocupação com a reforma religiosa era maior que com outros assuntos do estado.
Durante a Décima Nona e a Vigésima Dinastias, os faraós seguiram empreendendo expedições militares, anexando novos territórios e fazendo mais escravos. Entre eles estavam os Hebreus, que escaparam do Egito sob o comando de Moisés, durante o episódio narrado na Bíblia como o “Êxodo”. Dentro do país, a cultura seguia se desenvolvendo a todo vapor, novos materiais eram usados pelos artesãos, enormes estátuas eram construidas em homenagem aos faraós e, com a retomada do politeísmo, magníficos templos foram erguidos para honrar os deuses.

Último Reinado
Com a morte de Ramsés XI, o último faraó da Vigésima Dinastia, o Egito voltou a ser dividido em dois reinos e, daí em diante, foi reunificado, esfacelou-se novamente e teve poucos períodos de florescimento entre a Vigésima e a Trigésima Dinastias. Este período decadente, que se estende até a completa extinção dos faraós com a morte de Cleópatra VII, em 30 a.E.C., é marcado pela queda do Antigo Egito e é conhecido também como Reinado Recente. O país perdeu territórios, foi invadido, viver terríveis guerras civis, foi governado por cushitas, líbios, assírios, etíopes, babilônios, persas… Estas mudanças de comando duraram até 332 a.E.C., quando Alexandre Magno (ou O Grande) resolveu incluir o Egito em sua série de conquistas e tomou o país. A partir dele se estabeleceu o que ficou conhecido como Dinastia Ptolomaica, que foi a última dinastia faraônica;
Durante sua breve estada em terras egípcias, Alexandre deu início à construção de Alexandria, que viria a ser o centro mundial da arte e da cultura, com uma grande universidade clássica, uma biblioteca que reunia a maior coleção de manuscritos do mundo, um farol que está entre as Sete Maravilhas do Mundo Antigo e o mais e rico e movimentado porto do planeta. Quando Alexandre morreu, seus generais dividiram os reinos conquistados entre eles. Ptolomeu ficou com o Egito, nomeou-se faraó e declarou a independência do país. Um novo período de prosperidade estava começando com a Dinastia Ptolomaica;
Os primeiros Ptolomeus foram bons governantes, mas o progresso não durou muito. Reis megalômanos e egocêntricos como Ptolomeu V – se bem que, graças ao grande amor deste monarca por si próprio é que Champollion pôde decifrar os hieróglifos… - e festeiros e bárbaros como Ptolomeu VIII – que, entre uma farra e outra cortou o corpo do próprio filho em pedaços e mandou à mãe como presente de aniversário – levaram o Egito novamente à ruina. Cleópatra VII, filha de Ptolomeu Aulete – que, reza a lenda, gostava de levar a vida na flauta, dedicando mais tempo ao instrumento de sopro que ao governo – ela foi a última rainha do Egito faraônico.
Sua história, contada em prosa e verso revela que era uma mulher de pulso forte, despótica e que sua ambição era restaurar o poder faraônico e transformar o Egito novamente em uma potência do Mediterrâneo. Para isso, não mediu esforços. Ela abriu guerra contra um irmão, Ptolomeu XII, e talvez tenha mandado matar outro, Ptolomeu XIII. Seduziu dois generais romanos de grande prestígio – Júlio César e Marco Antônio -, e com estas relações, aproximou Alexandria de Roma, levando assim o Egito a um lugar de destaque no cenário mundial, pelo menos por um curto período de tempo. Quando Otávio tomou o Egito e derrotou Marco Antônio, Cleópatra aparentemente se suicidou junto ao corpo do consorte. Ambos foram sepultados no mesmo túmulo. Com Cleópatra VII, morria também o Egito faraônico.

Fonte: Revista Grandes Líderes da História – OS GRANDES FARAÓS
Adaptação: Emerson Sbardelotti
prof.emerson.comuna@hotmail.com
orkut: Comuna Pré-Vestibular Popular
comunidade no orkut: Professor Emerson

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